2025 foi um ano de fortalecimento do Comitê de Bioética e expansão de uma cultura ética na Missão Sal da Terra
- Thaynara Inacia

- 26 de fev.
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A Missão Sal da Terra consolidou, em 2025, um importante avanço na cultura ética institucional por meio da atuação do seu Comitê de Bioética. Composto por equipe multidisciplinar, o Comitê assegura pluralidade de perspectivas, qualificação técnica e respaldo ético às análises e deliberações relacionadas à assistência em saúde, fortalecendo sua função educativa, consultiva e estratégica dentro da organização.
Ao longo do ano, uma das entregas estruturantes foi a reestruturação do Manual de Bioética, que passou a ser organizado em dois documentos institucionais distintos, que tratam das Diretrizes de Bioética e o segundo de Orientações sobre Conflitos Éticos na Assistência à Saúde. A atualização trouxe maior clareza conceitual e aplicabilidade prática, contribuindo para decisões mais seguras e alinhadas aos valores institucionais. Também foi criado o símbolo oficial do Comitê de Bioética, fortalecendo sua identidade e visibilidade interna.
Para a presidente do Comitê de Bioética, Dra Gabriela Miranda, os avanços alcançados refletem um amadurecimento institucional. “Os resultados demonstram que estamos construindo uma cultura ética sólida e participativa. Nosso desafio agora é transformar conhecimento em prática cotidiana, garantindo que cada colaborador reconheça o dilema ético, saiba onde buscar apoio e se sinta seguro para tomar decisões responsáveis, sempre alinhadas à dignidade da pessoa e aos valores da Missão Sal da Terra”, afirma.

Entre as ações educativas, destacaram-se as blitz mensais de bioética, com conteúdos divulgados na newsletter institucional, ampliando o alcance das orientações e promovendo reflexão contínua entre os colaboradores. O ponto alto do calendário foi a realização da I Semana de Bioética e Cuidados Paliativos, em outubro de 2025, organizada pelo Comitê de Bioética e pela Comissão de Cuidados Paliativos da instituição.
A iniciativa integrou as comemorações do Dia Nacional da Bioética (19 de outubro) e do Dia Nacional dos Cuidados Paliativos (27 de outubro) e reuniu 569 colaboradores em dois dias de programação, distribuídas nos períodos da manhã e da tarde. O evento contou com palestras, mesas-redondas, painéis temáticos e dinâmicas interativas com gamificação, além da participação de convidados externos, que enriqueceram os debates com diferentes experiências e perspectivas.

Os painéis abordaram temas contemporâneos e desafiadores, como os cuidados paliativos em rede, a bioética em situações de conflito, a responsabilidade ética associada a registros seguros e à comunicação multiprofissional, além de reflexões sobre a condução de tratamentos considerados fúteis. Já as mesas-redondas promoveram discussões sobre dilemas bioéticos com base em casos reais, integralidade do cuidado, comunicação de más notícias e recusa terapêutica, analisando o equilíbrio entre a autonomia do paciente e a responsabilidade profissional. Ao final de cada turno, os participantes participaram de estudos de caso em formato de quiz, seguido de debate ético, fortalecendo a aprendizagem prática e o diálogo institucional.
Em paralelo às ações formativas, foi realizada uma pesquisa institucional para avaliar o conhecimento e a percepção dos colaboradores sobre bioética e sobre o próprio Comitê. Os resultados evidenciaram importante reconhecimento interno: 89,5% afirmaram saber o que é bioética e 97,4% reconhecem a existência do Comitê na instituição. Além disso, 84,2% compreendem sua finalidade como instância de apoio na tomada de decisões difíceis relacionadas ao cuidado.
Quando questionados sobre como agir diante de conflitos éticos, 57,9% indicaram que acionariam o Comitê por meio do canal Contato Seguro, enquanto 42,1% procurariam o gestor ou coordenador da unidade. Em relação aos documentos institucionais, mais de 80% declararam conhecê-los, embora 63,2% nunca os tenham utilizado, e 21,1% já tenham realizado consultas, dado que aponta oportunidade para ampliar o uso prático dos materiais no cotidiano assistencial.
Embora 57,9% dos respondentes afirmem não ter vivenciado dilemas éticos, os relatos qualitativos revelaram situações envolvendo sigilo profissional, racismo, recusa de cuidado, internação social, LGPD e desafios vivenciados durante a pandemia. Os dados reforçam a necessidade de aprimorar o reconhecimento formal desses conflitos no dia a dia e de fortalecer a cultura de reflexão ética.
A pesquisa também demonstrou que 76,3% dos colaboradores sabem como entrar em contato com o Comitê, e 97,4% manifestaram interesse em receber mais informações sobre o tema. Entre as estratégias de comunicação consideradas mais efetivas estão rodas de conversa nos setores e vídeos curtos explicativos (34,2% cada), seguidos por reuniões com lideranças (23,7%).
O ano de 2025, portanto, foi marcado pelo fortalecimento institucional do Comitê de Bioética, pela ampliação das ações educativas, pela consolidação de instrumentos formais de orientação e pela ampliação de sua visibilidade interna. O trabalho desenvolvido reafirma o compromisso da Missão Sal da Terra com uma assistência ética, humanizada e centrada na dignidade da pessoa humana.



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